Arthur Selude acreditava estar preparado para qualquer tipo de provação que tivesse que passar em seu Exame de Admissão para entrar nos Arqueiros de Fogo. Mas não estava.

Os Arqueiros de Fogo são uma organização pouco conhecida, apesar de não ser secreta, que se dedica a estudar a profecia envolvendo o líder da Aliança Negra dos goblinóides, Thwor Ironfist. Apesar de já existir há algum tempo, contando com dez anos desde que fora fundada por Elrion Silverarrow (um elfo arqueiro), Sophia Knowhow (clériga de Tanna-Toh) e Voltier Lagorr (clérigo de Thyatis); possui apenas doze membros. O motivo de tamanha exclusividade é o rigoroso Exame de Admissão que todos os candidatos são obrigados a realizar para conseguir entrar na grupo. Tal exame é realizado apenas uma vez por ano, no dia seis de Exinn, pois neste dia, há cerca de vinte anos, a cidade élfica de Lenórienn caira frente ao exército liderado pela foice de Ragnar.



Há algumas meses, Arthur encontrou Elrion e Sophia pelas bibliotecas de Valkaria e descobriu sobre os arqueiros de fogo. Arthur, que sempre buscou vingança pela morte de seus pais e amigos durante o ataque dos bugbears à Lenórienn, resolveu se unir ao grupo e ajudá-los em suas investigações. Entretanto, descobriu que só poderia entrar para o grupo após realizar o exame de admissão anual, que só acontecia no fatídico dia seis de Exinn – o dia da queda de Lenórienn sob as garras da Aliança Nerga –, uma data que Arthur jamais conseguiria esquecer. Alguns meses depois, quando a data maldita finalmente se aproximava, Arthur rumou para Valkaria novamente e procurou os Arqueiros de Fogo pelo bairro élfico.

Quando finalmente era antevéspera do elficídio, Arthur, os três fundadores da guilda e mais uns poucos candidatos partiram de Valkaria e caminharam por quase um dia até chegarem à um local afastado da cidade, onde havia florestas, tranquilidade e discrição para que o Exame de Admissão fosse realizado sem interrupções. Dois acampamentos diferentes foram montados: um para os candidatos e outro para os fundadores. Após comerem todos juntos uma refeição simples a base de ervas e frutas élficas, que eram largamente cultivadas em Lenórienn, os fundadores dos Arqueiros de Fogo se retiraram para suas tendas para preparar o Exame que se iniciaria no dia seguinte.

Durante a noite que antecedia o Exame, Arthur aproveitou para conhecer os demais candidatos. Eram dez ao todo, a maioria obviamente eram elfos, porém existia também um humano e um halfling. O humano era o mais recluso de todos, e também era o de aparência mais humilde, trajava apenas uma roupa surrada e não portava armas de nenhum tipo. Devido aos seus olhos puxados, Arthur deduziu que ele era Tamuriano. O halfling, por sua vez, era o mais animado e empolgado, e tentava conversar com todos os candidatos e ocasionalmente tocava alguma música alegre em um bandolim adaptado ao seu tamanho.

-- Olá mestre elfo! – disse o halfling alegremente a Arthur.

-- Saudações – respondeu Arthur, sem demonstrar emoções.

-- Temos muitos elfos hoje aqui, porém o senhor é diferente dos demais.

-- Como assim? – perguntou Arthur intrigado.

-- O senhor tem experiência, já lutou contra muitos inimigos e já vivenciou muitas aventuras. Estes elfos que aqui estão viveram a maior parte de suas vidas no bairro élfico de Valkaria, e viram nos Arqueiros de Fogo uma chance de se aventurar, mudar de vida e ainda se vingar da Aliança Negra. Porém como ainda são imaturos, certamente não passaram no Exame.

Olhando a sua volta, Arthur percebeu que o quê o hafling falava era verdade. Os demais elfos estavam apreensivos e assustados, não pareciam estar preparados de verdade para buscar pistas sobre a flecha de fogo por toda a Arton. Porém, um destes elfos chamou a atenção de Arthur, ele era o mais alto e trajava um corselete todo trabalhando em mitral e carregava um arco feito de uma madeira tão nobre, que só podia ter sido extraída em Lenórienn em seus tempos de glória. Ele estava totalmente confiante, e parecia ser o líder e inspiração dos demais elfos.

-- Concordo com o quê fala, pequenino. Porém vejo entre estas folhas verdes um elfo com roupas nobres e aparência altiva que se mostra muito confiante.

-- Este é Galatárion. Ele era de uma família nobre em Lenórienn e é um veterano neste exame, tendo participado ano passado e falhado. Pelo que pude perceber, ele está contando aos demais como foi o exame anterior, porém tal conhecimento não será de grande vália, pois a cada ano os testes mudam.

-- Me diga, pequenino, qual seu nome e qual seu interesse nos Arqueiros de Fogo, uma vez que não teve sua casa destruída pela Aliança Negra?

-- Pode me chamar de Valdo, o bardo. Meu sonho é poder cantar um dia a mais épica balada já registrada em Arton. E este balada, estou certo, será sobre a queda de Thwor Ironfirst. Por isso estou tentando me unir aos Arqueiros de Fogo, pois quero estar mais perto dos heróis que um dia irão derrubar o general bugbear. E você mestre elfo, qual seu nome e o que busca aqui?

-- Pode me chamar de Arthur Selude, porém prefiro manter em segredo o que me trouxe aqui, pelo menos por enquanto. Apesar de que não deve ser difícil deduzir minhas motivações.

-- Respeito seu desejo, Mestre Arthur. Se me permite, vou me retirar agora, pois preciso repousar pois o dia de amanhã promete ser exaustivo, físico e mentalmente.

Valdo se retirou, e logo em seguida os demais candidatos começaram a preparar suas tendas para repousarem. Arthur não conseguiu dormir aquela noite. Ficou mirando a cripitante fogueira que fora acessa no meio do acampamento remoendo em seu interior as tristes memórias que carregava consigo, desde que vira sua querida cidade ser devastada.

Quando Azgher surgiu no horizonte, Sophia, a clériga de Tanna-toh, apareceu no acampamento dos candidatos e convidou todos a seguirem-na até o local onde seria realizado o primeiro teste. Todos caminharam por uma trilha no meio da mata por cerca de quarenta minutos até atingirem uma grande clareira. Arthur observou na clareira uma espécie de sala de aula que copiava, em detalhes, as existentes na Grande Academia Arcana. Um tablado mais elevado para as explicações do professor e várias mesas e cadeiras onde os estudantes se sentavam para assistirem as aulas, porém, diferente das salas da Academia Arcana, estas eram ao ar livre.

Sophia subiu no tablado e pediu aos candidatos para que se sentassem nas carteiras. Quando todos já estavam bem acomodados ela começou a falar:

-- Muito bem, aqui estamos. O Exame de Admissão deste ano será composto por três testes, com nível de dificuldade e periculosidade crescentes. Para poderem se juntar aos Arqueiros de Fogo, terão que passar pelos três testes. Durante o primeiro e segundo teste, vocês podem desistir do exame a qualquer momento, entretanto, uma vez começado o terceiro teste, não há meios de desistir dele. Por isso, caso passem por este e pelo segundo teste, tenham certeza de que desejam continuar antes de iniciarmos o terceiro teste.

“O primeiro teste visa verificar se vocês detêm os conhecimentos necessários para poder se unir a nos na busca pela Flecha de Fogo. Ele será realizado através de uma prova escrita com cinco questões. Vocês terão duas horas para responderem as questões e precisam acertar três das cinco questões para passarem para a próxima fase. Alguma pergunta?”

Após a explicação de Sophia, um grande silêncio surgiu entre os participantes, e como não havia perguntas, a primeira fase do exame começou. Sophia entregou a cada participante um papiro com as questões e espaço para as respostas, além de uma pena e tinta.

A primeira questão estava escrita com finas e delicadas runas élficas. Arthur não teve dificuldade em lê-la, pois desde criança aprenderá com sua mãe a ler e escrever na nobre língua dos elfos. Ela trazia uma questão sobre a história de formação da cidade de Lenórienn, um assunto que Arthur dominava, pois era obcecado pela história dos elfos e tudo relacionado e sua saudosa cidade perdida.

Com traços igualmente finos, porém mais brutos e ainda mais antigos, a segunda questão estava escrita em Dracônico. Por terem sido os dragões os primeiros e mais poderosos magos da história, é natural que boa parte dos tratados em magia sejam ainda escritos nesta língua antiquíssima, por isso todo bom mago deve ser fluente nela. Arthur não teve problemas em ler a questão e também foi bastante hábil ao respondê-la. A questão era na verdade trechos de uma magia relativamente avançada que os candidatos deveriam identificar o efeito, uma tarefa fácil para um mago experiente como Arthur.

Linhas retas e firmes. Sem espaço para floreios, porém de uma beleza incontestável. Assim era a língua dos anões, a língua em que a terceira questão fora escrita. Arthur não era fluente em anão, porém já estudara alguns tratados sobre armas mágicas escrito pelos anões e foi capaz de entender a questão. Era uma pergunta sobre a anatomia dos goblins, inimigos tão antigos dos anões quanto dos elfos. Os anões desenvolveram várias técnicas de batalha contra os goblins através do estudo da anatomia de seus corpos, seus pontos vitais e pontos cegos, e esta questão pedia aos candidatos que respondessem quais das afirmações sobre a anatomia dos goblins estavam corretas. Arthur não tinha total certeza sobre todas as afirmações, porém tentou lembrar-se das várias vezes que vira seu companheiro anão enfrentar goblins para respondê-la.

Lamnoriano era a língua falada pelos humanos no continente de Lamnor, e hoje em dia é quase uma língua morta. Talude, o mestre máximo da magia e diretor da Grande Academia Arcana de Valkaria, tenta ao máximo preservar a língua obrigando que todos os seus alunos sejam fluentes em Lamnoriano. Graças a isso Arthur conseguiu responder a quarta questão, que tratava da geografia do reinado, relacionando reinos com suas capitais e características marcantes. Informações imprescindíveis para quem deseja viajar pelo mundo para desvendar uma profecia.

A última questão era a sem duvida a mais fácil de todas. Era pedido aos candidatos que escrevessem a profecia sobre o nascimento e morte de Throw Ironfist, certamente um conhecimento geral de todos os candidatos. Porém, ela fora escrita em garranchos grutuais da língua goblin, uma língua muito pouco conhecida pelos mais civilizados e menos experientes aventureiros.



Assim que terminou de responder a quinta questão, Arthur olhou a sua volta e verificou que a maioria dos candidatos não conseguiria passar pelas perguntas. Muitos deles podiam ser guerreiros valorosos, mas não tinham o conhecimento e a experiência necessária para responderem aquelas questões. Além de Arthur, os únicos que pareciam estar conseguindo resolver a prova eram Valdo, Galatárion e o Tamuriano.

Antes de encerrado o prazo de duas horas, alguns dos candidatos já havia desistido e voltado para a acampamento dos candidatos. Arthur e os demais também tiveram que voltar ao acampamento depois de terminarem a prova e foram instruídos a aguardar até que um dos examinadores fosse chamar os que passariam para a próxima fase.

Pelo clima do acampamento já era possível determinar quem passara ou não para a próxima fase. A maioria dos candidatos estava se lamentando por não saber esta ou aquela língua, enquanto Galatárion revelava aos demais as suas respostas bastante acuradas. O Tamuriano ficou queto próximo a sua tenda como estivera toda a noite anterior sem dizer uma palavra sequer. Valdo se aproximou de Arthur e disse:

-- E então amigo elfo, como foi no teste?

-- Acredito que tenha ido bem. As questões não estavam tão difíceis.

-- Devo concordar contigo. A única que não conseguir responder era a que estava em goblin, pois não conheço nenhuma palavra nesta bestial língua.

Arthur e Valdo conversaram sobre amenidades do teste até que Elrion, o elfo arqueiro, surgiu no acampamento dos candidatos.

-- As pessoas cujos nomes eu chamar aqui são os classificados para a próxima etapa do exame. Se seu nome for chamado e ainda desejar continuar no exame, por favor venha até mim. Os demais, permaneçam aqui enquanto o exame termina. Vamos começar: Galatárion.

O garboso elfo, tranquilamente deslisou por entre os demais candidatos e foi juntar-se à Elrion enquanto este chamava o nome do halfling bardo Valdo, que prontamente se juntou aos dois elfos. O próximo nome chamado foi o de Arthur que também se uniu o trio. Por fim, o último nome chamado foi chamado “Kurama”, e o Tamuriano tranquilamente se uniu aos demais.

Elrion, seguido pelos quatro candidatos caminharam por uma trilha de mata fechada por quase uma hora quando finalmente chegaram no sope de um morro. Nas laterais do morro era possível encontrar uma gruta facilmente alcançável por uma trilha de pedras colocadas no morro formando uma escada.

-- Vamos dar inicio ao segundo teste. Vou dividir vocês em duas duplas através de um sorteio e, cada uma das duplas, deverá ir até a gruta e lá decidir qual dos dois deve continuar no exame. Vocês podem decidir isso pacificamente ou através de um duelo, não importa. Este teste é para testar as habilidades de persuasão ou de combate e verificar se possuem a vontade necessária para se unir aos arqueiros de fogo. Pequem aqui, neste saco, um pedaço de papel – disse Elrion, oferecendo aos personagens um pequeno saco bastante simples feito de couro.

Arthur e os demais candidatos removeram do saco um papel cada. Estes papeis continham, cada um, um número diferente. O de Arthur era três, Valdo possuía o de número dois, enquanto Galatárion estava com o de número quatro e sobrara para Kurama o de número um.

-- Vamos começar pela dupla com os números um e dois. Por favor, vão até a gruta no morro e não demorem mais do que meia-hora.Caso demorem mais que isso, estarão ambos desclassificados.

Arthur então seguiu com os olhos o pequeno bardo e o calado tamuriano até a gruta. Após entrarem, os dois candidatos restantes e o examinador permaneceram em silêncio por cerca de cinco minutos, quando, em fim, Galatárion disse:

-- Quem você acha que vai continuar? – perguntou olhando diremente para Arthur.

-- Não sei. O halfling parece ser muito corajoso e habilidoso, porém não sei nada sobre o Tamuriano.

-- Eu aposto no Tamuriano. Jamais um halfling poderia lidar com um monge mudo!

-- Monge mudo? – perguntou Arthur, curioso.

-- Sim. Ele faz parte de uma ordem de monges Tamurianos que, como sinal de disciplina, cortam suas próprias linguás para completar seu treinamento.

Surpreso com as recentes informações sobre o Tamuriano, Arthur se envolveu em pensamentos próprios pondo um fim na conversa com Galatárion. Mais dez minutos depois e os dois candidatos voltaram. Valdo sorria alegremente e disse para o instrutor que era ele que continuaria nos testes. Galatárion fazia uma cara de desaprovação e surpresa, porém nada podia fazer para mudar o resultado.

Arthur também ficou estava curioso para saber como Valdo havia convencido o Tamuriano a desistir do embate, uma vez que não vira machucados em nenhum dos dois candidatos, porém isto ficaria para depois, pois era a sua vez de entrar na gruta.

-- Agora é a vez dos candidatos três e quatro. Novamente, respeitem o limite de meia hora.

Arthur então começou a escalar os degraus que levavam até a gruta, seguido de perto por Galatárion. Quando em fim estavam lá dentro, Galatárion preparou seu arco, e antes de o levantar e mirrar no coração de Arthur disse:

-- Meu caro compatriota, eu sou conhecido como Galatárion Flecha-Certeira, pois era o melhor em arco e flecha de todo o meu esquadrão em Lenórienn. Fui guarda do palácio real e sou membro de uma das mais nobres e antigas famílias élficas de que se tem noticia. Se dá valor a sua vida, acho melhor se render agora.

Arthur desdo momento em que vira Galatárion sabia que ele era arrogante, prepotente e também habilidoso. Porém, se tinha que enfrentá-lo para conseguir entrar para os arqueiros de fogo, não teria medo, pois confiava em suas habilidades.

-- Não vou me render – disse Arthur.

-- Uma pena, sério.

Antes mesmo de se perceber o arco levantar, três flechas voaram na direção de Arthur que, por reflexo, pulou para o lado, conseguindo evitar uma flecha. Outra delas foi barrada pelas proteções mágicas que já estavam ativas no corpo do elfo, porém a terceira acertou o ombro direito de Arthur, que sentiu sua carne rasgar e viu uma mancha de sangue se formar em suas vestes arcanas.

Arthur imediatamente conjurou um bola de fogo e a lançou em direção a Galatárion, porém Galatárion, enquanto se preparava para atirar mais flechas, pulou para cima e conseguiu evitar a maior parte do impacto da magia, apenas queimando a sua perna esquerda.

Uma nova saraivada de flechas foi disparada, e desta vez Arthur somente conseguiu evitar uma delas, sendo atingido em cheio por duas, um na perna esquerda e outra próximo ao estomago. Arthur já arfava e começava a mancar devido aos ferimentos terríveis.

Mesmo bastante ferido pelas flechas inimigas, Arthur conjura uma parede de ventos à sua frente a tempo de barrar a terceira rajada de flechas disparadas por Galatárion, que, vendo que suas flechas não afetariam mais o mago, guarda seu arco e saca uma espada curta finamente trabalhada.

O tempo que Galatárion perdeu trocando de armas foi o bastante para Arthur conjurar vôo sobre si próprio. Agora, protegido pela parede de ventos e distante da lamina de Galatárion, Arthur estava virtualmente invencível e começou a disparar uma série de misseis mágicos que atingiram o elfo arqueiro em cheio e acabaram por derrotá-lo.

Mancando devido aos ferimentos, e trazendo consigo o inconsciente Galatárion, Arthur deixa a gruta e é prontamente ajudado por Valdo e Kurama a descer do morro. Uma vez estando lá embaixo, Arthur percebeu que Elrion não estava mais lá, porém Voltier Lagorr, o clérigo de Thyatis estava.



Após curar os ferimentos de Arthur e de Galatárion, Voltier guiou os dois candidatos restantes até o local do próximo teste que, para a surpresa de todos era no acampamento onde os examinadores estavam estalados. Lá, também estavam os outros dois examinadores, porém foi o próprio Voltier que tomou a palavra:

-- Vocês conseguiram chegar ao último teste. Se conseguirem passar por ele, serão admitidos nos Arqueiros de Fogo e terão acesso a todas as informações sobre a Aliança Negra que conseguimos colher durante todos estes anos. Porém, vocês devem ter certeza que desejam realizar este teste, pois uma vez iniciado, ele não pode ser interrompido.

“Vamos realizar um ritual mistico e vocês vão entrar em uma espécie de transe. Enquanto estiverem neste transe vão enfrentar algum desafio que nem mesmo nós sabemos qual será e terão a mente iluminada pelo grande Thyatis. Deste modo vão conseguir descobrir alguma informação sobe a profecia de Thwor Ironfist e sobre o papel que vocês desempenharão na derrota da Aliança Negra. Infelizmente, alguns candidatos com pouca força de vontade voltaram deste transe loucos e outros tantos nem mesmo voltaram.”

-- Isso é muito Terrível! Por que fazem testes assim! – protestou o halfling.

-- Este ritual nos dá pistas sobre como procurar a flecha de fogo. A cada novo membro que entra para os Arqueiros de Fogo, mais informações conseguimos. Na verdade, toda a organização existe exatamente para selecionarmos pessoas capazes de passar por este ritual e retornarem sãs, pois este ritual é que nos fornece as melhores pistas. Caso entre para o nosso grupo, terá acesso a todas as informações que coletamos através dos anos com nossos transes e pesquisas.

Arthur entendeu finalmente o motivo dos tão rigorosos testes pelos quais teve que passar. Ser um Arqueiro de Fogo era mais do que ser um um aventureiro em busca de um artefato magico poderoso, era estar de alguma forma ligado à profecia e arriscar perder a própria mente para conseguir reunir peças para um quebra cabeça aparentemente sem fim.

-- Sinto muito, caros colegas, mas não quero arriscar perder minha mente neste teste, vou desistir – disse Valdo, se retirando. Agora sobrava apenas os três examinadores e Arthur no acampamento.

-- Então, vai continuar? – perguntou Sophia.

-- Sim, eu irei – respondeu Arthur com convicção.

Arthur então recebeu um cálice contendo um liquido escuro e espeço das mãos de Elrion e ingeriu todo o seu conteúdo. Sophia começou a entoar orações a Tanna-toh, pedindo proteção e sabedoria para Arthur, enquanto Voltier começou o ritual para o Deus da Profecia.




Arthur fechou os olhos por um período indeterminado de tempo. Podia ter sido um segundo, dez minutos, uma hora ou uma vida toda e, quando finalmente conseguiu abri-los não viu mais os examinadores nem a tenda onde se encontrava. Existia apenas um escuro infinito, um breu que envolvia a tudo. Aos poucos, os olhos de Arthur foram se acostumando e tênues linhas e curvas começaram a se formar.

As linhas começaram a se transformar em um cenário fantástico. Arthur percebeu que estava em um templo dourado, com uma arquitetura que lembrava a existente na cidade perdida de Lenórienn, porém ainda mais impressionante. Analisando melhor, Arthur percebeu que a construção se desprendia do tronco de uma árvore colossal, a maior árvore que Arthur já vira na vida. Havia runas élficas e pedras preciosas em todos os lugares, e ele conseguia avistar várias outras arvores, tão altas que tocavam o céu. A construção em que se encontrava era apena uma das dezenas que existiam em sua árvore gigante, e todas as outras árvores pareciam esconder um número equivalente de edifícios élficos. A forma como as construções se misturavam com as arvores era tão harmônica e bela que somente os elfos teriam sido capazes de construí-las.

Uma bela mulher élfica entrou por uma das várias portas do templo em que Arthur se encontrava. Ela estava segurando um bebê em seus braços e, ao ver Arthur, tentou oferecer-lhe bebê. Arthur, sem entender as intenções da mulher, tentou pegar o bebê em seus braços, porém uma terrível tempestade vermelha de ácido e sangue surgiu no céu, trazendo horrores inimagináveis, e começou a destruir todas as árvores e corroer as estruturas. A mulher elfa, cobrindo com um fino tecido de ouro o bebê, correu desesperadamente até os níveis mais baixos da templo tentando protegê-lo daquela tempestade rubra.

Arthur tentou seguí-la, porém três criaturas insetóides com pele vermelha e articulações em ângulos que desafiavam a lógica se colocaram entre o mago e a mulher. Eram tão alienígenas, que o cérebro de Arthur não conseguia acreditar em suas verdadeiras formas e Arthur acabou as enxergando como grandes formigas vermelhas.

Tentando chegar até a mulher, Arthur lançou um poderoso relâmpago sobre as criaturas derrubando uma delas, porém as demais o cercaram e atacaram, abrindo terríveis feridas no corpo no elfo que começou a sangrar e verter um pus vermelho com cheiro de enxofre. Arthur teria morrido ali, porém, uma flecha acertou em cheio uma das criaturas, quebrando sua carapaça dura e vermelha e a atirando para longe, enquanto a terceira criatura era congelada por um raio de gelo mágico.

Os pais de Arthur, lá do meio da tempestade vermelha, enfrentando hordas de demônios-formiga junto aos exércitos de elfos que surgiam das árvores, desviaram suas atenções e ataques para salvar o filho. Arthur gritou seus nomes, porém uma nuvem de criaturas vermelhas surgira e acabara com a linha de visão que Arthur tinha de seus pais. Arthur decidiu então encontrar a mulher com a criança, seguindo pela mesma escada por onde a mulher havia saído.

Depois de alguns lances de escada, onde Arthur vira inúmeros elfos enfrentando e sendo devorados vivos por aquelas criaturas terríveis, ele finalmente encontrou a moça e criança. A criança fora coloca, apresadamente porém com cuidado sobre uma mesa, e a moça agora tentava enfrentar, com sua espada curta, um demônio-formiga, porém não era forte nem rápida o bastante para conseguir evitar suas poderosas garras e Arthur viu o demônio-formiga estraçalhar a elfa ao meio.

Afetado pela chocante cena, Arthur dispara outro relâmpago sobre o demônio que tomba. Arthur então vai até a criança, e a retira da mesa e pega no colo. Como suspeitava, era uma criança elfo, uma menina. Ela, aleia a toda a matança a sua volta, estava dormindo serena e tranquilamente.

De repente, o demônio-formiga começou a estremecer no chão e sua carapaça vermelho-rubi quebrou-se, liberando uma massa disforme vermelha que começou a tomar a forma de Thwor Ironfist, o general bugbear.

Arthur conjurou uma poderosa Bola de Fogo sobre o líder da Aliança Negra, porém tamanha era a força do bugbear, que nem pareceu se abalar com o ataque. Com uma pancada de seu machado, o bugbear lançou Arthur contra a parede, quebrando-lhe três costelas com o impacto. A criança, ainda protegida pelos braços de Arthur, finalmente desperta de seu sono e começa a chorar enquanto o general bugbear se aproxima para desferir um golpe de misericórdia na pequena elfa.

Quando tudo parecia perdido, surge uma presença capaz de fazer o general bugbear recuar. Entra na sala um elfo utilizando a mais bela e ornamentada armadura completa que Arthur já vira. Ela era dourada, com detalhes representando folhas e flores, e era toda decorada em pedras preciosas de cores e tamanhos variados. E com uma espada igualmente impressionante, o elfo golpeou Thwor Ironfist e o fez recuar.

Arthur presenciou uma batalha épica entre o poderoso elfo e o general bugbear. Uma sequência de golpes poderosos partia e era repelida por cada um dos adversários. Os golpes de Thwor eram tão fortes que acabaram quebrando um dos braços do guerreiro élfico e Arthur acreditou que a luta já estava decidida, porém o elfo na verdade deixara seu braço ser quebrado para conseguir uma brecha na defesa do bugbear e enfiou sua espada no coração da fera que, depois de agonizar por alguns instantes tomba violentamente no chão.

-- Vá, Var Maranwe. Encontre a criança e a proteja até que ela possa comprir seu destino. – Disse o Elfo para Arthur.

-- Mas a criança esta aqui... – e ao perceber que ela não estava mais em seus braços, Arthur disse – Oh não, onde posso encontrá-la?

O elfo ia responder, porém o general bugbear tombado começou novamente a se levantar e o elfo teve que novamente se engajar no combate, não tendo tempo de dizer a Arthur onde ele deveria procurar.

Arthur sentiu a consciência voltar, e tudo a sua volta começou a escurecer até que toda a luz, sons, odores, dores e sensações desapareceram e ele conseguiu abrir os olhos novamente, e percebeu estar novamente na tenda, junto com os examinadores.

Arthur passara no Exame de Admissão. Mas o sonho que tivera durante o transe, mudaria sua vida para sempre.

O quê?


Eu sumi por um mês inteiro?

Verdade, não nego.

Neste mês eu e meu grupo não jogamos nenhuma sessão referente a nossa campanha atual, apenas jogamos o começo da Aventura "Keep on the Shadowfell" da 4E (que eu preferi não fazer o reporte aqui uma vez que era uma aventura pronta). Eu também comecei a jogar Warhammer 40K - Dark Heresy em um grupo aqui de São Carlos, mas isso é assunto para um outro post.

Desta vez trago uma Classe de Prestígio especialmente feita para a minha campanha atual em Arton. Esta classe de prestígio foi feita para se enquadrar na história de um dos jogadores do grupo, o elfo mago Arthur Selude, por isso preferi não mexer nas habilidades conjuradoras do personagem (levando em conta que o clérigo do grupo vai perder parte de suas habilidades por causa de sua classe de prestigio também). Para viabilizar o uso do arco pelo personagem, aumentei o BBA da classe (porém mantive todas as demais características dos magos para que ela não ficasse forte demais) e dei talentos extras focados em arquearia.

Eu também escrevi um conto contando sobre o Exame de Admissão do personagem que pretendo postar ainda hoje) de onde tirei algumas ideias para habilidades e características da classe.

Espero que tenha ficado legal e equilibrada com as demais. Agora sem mais delongas, vamos à classe!

Arqueiro de Fogo

Os arqueiros de fogo são um grupo bastante restrito, apesar de não ser secreto, que pesquisa sobre a lenda de Thwor Ironfist e tenta encontrar a “flecha de fogo”, item que teoricamente é único capaz de matar o general bugbear. Apesar de composto majoritariamente por elfos, eles aceitam membros de qualquer raça – incluindo goblins! – desde que passem por uma série de testes conhecidos como o Exame de Admissão. Este exame ocorre somente uma vez por ano em 06 de Exinn, o mesmo dia em que a cidade élfica de Lenórienn foi atacada e destruída pela Aliança Negra.

O que as pessoas não sabem sobre os arqueiros de fogo é que durante este testes, os candidatos são submetidos à um ritual mágico que envolve o consumo de ervas élficas secretas e preces a Thyatis, o deus da profecia, ministradas por um clérigo desta divindade que é um dos fundadores do grupo. Um candidato, quando participa deste ritual, entra em transe e tem uma série de visões e presságios envolvendo a flecha de fogo e outros assuntos importantes envolvendo sua busca e o seu próprio papel enquanto Arqueiro de Fogo para tornar a busca possível. É através deste ritual, realizado anualmente, que os arqueiros obtêm as melhores pistas e informações sobre como encontrar e o quê é verdadeira a flecha de fogo.

Apesar de poderoso, estes rituais são extremamente perigosos e muitos dos candidatos submetidos acabam perdendo a razão após voltarem do transe, e muitos nem mesmo conseguem voltar. Por este motivo, uma série de testes menores é realizada antes para verificar se os candidatos estão aptos a passarem por este ritual.

Os Arqueiros de Fogo são profundos conhecedores da história do Mundo, incluindo a Grande Batalha responsável pela criação da caravana dos exilados e, posteriormente, no reencontro com Valkaria e fundação do reinado. Eles também são conjuradores arcanos ou divinos habilidosos e tem treinamento em arquearia, além de estudarem a anatomia goblin para poder enfrentá-los melhor durante suas expedições à Arton Sul, em busca de templos esquecidos cheios de segredos e mistérios envolvendo a raça élfica e a profecia bugbear.

Pré-requisitos:
Bônus Base de Ataque: +3
Perícias: Conhecimento História (6 graduações), Entender Magia (6 graduações).
Línguas: Élfico e Lamnoriano
Magias: Capacidade de conjurar magias arcanas ou divinas de terceiro nível.
Especial: Passar pelo Exame de Admição (veja na descrição)

Perícias de Classe:
Conhecimento – História (int), Conhecimento – Religião (int), Conhecimento, Lingüística (Int), Entender Magia (Int), Percepção (Sab).
Pontos de Perícia: 2 + modificador de Inteligência.

Tabela: Arqueiro de Fogo

Nível

BBA

For

Ref

Von

Especial

Magias por Dia

+0

+0

+1

+1

Arco do Pacto, Talento Extra

+1 nível conjurador

+1

+0

+1

+1

Caçador de Goblins +1

+1 nível conjurador

+2

+1

+2

+2

Nome Profético

+1 nível conjurador

+3

+0

+2

+2

Flechas Inflamáveis

+1 nível conjurador

+3

+0

+3

+3

Talento Extra

+1 nível conjurador

+4

+2

+3

+3

Caçador de Goblins +2

+1 nível conjurador

+5

+2

+4

+4

Terror dos Goblins

+1 nível conjurador

+6

+2

+4

+4

Flechas Explosivas

+1 nível conjurador

+6

+3

+5

+5

Talento Extra

+1 nível conjurador

10°

+7

+3

+5

+5

Caçador de Goblins +3

+1 nível conjurador


Características de Classe:


Dado de Vida: 1d6

Usar Armas e Armaduras: O Arqueiro de Fogo sabe usar todos os tipos de arcos e bestas.

Níveis de Conjurador: Sempre que o personagem adquirir um nível de Arqueiro de Fogo, ele pode considerar uma classe conjuradora básica (divina ou arcana) que possua como um nível maior para determinar o acesso à magias, o número de magias por dia e os efeitos das magias para aquela classe. O personagem pode escolher classes diferentes cada vez que adquirir um nível de Arqueiro de Fogo.

Arco do Pacto: A partir do 1º nível, após concluir o Exame de Admissão, o arqueiro de fogo recebe um Arco produzido com técnicas milenares de Lenórienn como prova de que passou pelo ritual. É um Arco Longo Composto obra-prima com bônus máximo de força igual a 4, além disso, quando empunhado por um Arqueiro de Fogo, este o Arco se torna +3 contra goblins.

Caso o personagem tenha algum tipo de ligação especial com outro item mágico (como o Objeto de Fetiche do Mago), ele pode trocar a ligação especial deste objeto pelo Arco com as mesmas propriedades que a ligação com o objeto anterior possuía. O Arco do Pacto também serve como implemento divino para qualquer conjurador divido que possua ao menos uma classe de arqueiro de Fogo. Caso o Arco seja destruído ou perdido, o Arqueiro deve se submeter novamente ao Exame de Admissão para poder ganhar um novo arco.

Talento Extra: No 1º, 5º e 9º nível, o Arqueiro de Fogo adquire um Talento Extra que deve ser retirado da lista apresentada abaixo ou qualquer outro talento relacionado a arquearia que o mestre permitir. Ele ainda deve atender a todos os pré-requisitos para poder adquirir os talentos.

Talentos Possíveis: Tiro no Alvo (Point-Black Shot) (pg 131), Tiro Longo (Far Shot) (pg 124), Tiro Preciso (Precise Shot) (pg 131), Tiro Preciso Aprimorado (Improved Precise Shot) (pg 128), Mirar nos Pontos Vitais (Pinpoint Targeting) (pg 131), Tiro em Movimento (Shot on the Run) (pg 133), Tiro Rápido (Rapid Shot) (pg 132), Tiro Múltiplo (Manyshot) (pg 130).

Caçador de Goblin: A partir do 2º nível, os estudos do Arqueiro de Fogo sobre a anatomia e comportamento dos goblins, além de sua experiência de campo no combate a estas criaturas começa a fornecer vantagens elas. Todo teste de perícia, jogada de resistência, teste de nível de conjurador para ignorar resistência mágica ou jogada de ataque realizado pelo Arqueiro de Fogo contra goblins e recebe +1 de bônus. Este bônus é cumulativo com bônus provenientes da característica de classe Inimigo Favorito dos Rangers. No 6º nível, o bônus sobe para +2 e no 10° nível, o bônus sobe para +3.

Nome Profético (Sob): Durante o ritual realizado durante o Exame de Admissão, o Arqueiro de Fogo recebe um nome especial em uma língua élfica arcaica cujo significado é obscuro. Além de utilizar este nome durante seus encontros com os demais arqueiros, uma vez descoberto seu significado, pronunciar seu próprio nome em voz alta pode lhe conceder algum bônus especial. Quando atingir o 3º nível, o significado do nome secreto do Arqueiro de Fogo é revelado (geralmente através de sonhos) e ele pode, uma vez por dia, pronunciar seu nome em voz alta e ganhar um bônus de moral de +4 em um atributo durante dez minutos. Cada vez que esta habilidade é utilizada, o Arqueiro de Fogo pode escolher um atributo diferente para receber o bônus.

Flechas Inflamáveis (Sob): A partir do 4º nível, o Arqueiro de Fogo é capaz de incendiar suas flechas apenas com sua força de vontade. Por um número de vezes igual ao modificador de Sabedoria mais os níveis de Arqueiro de Fogo do personagem, o Arqueiro de Fogo pode, uma vez por turno, inflamar uma flecha que for disparar. Flechas Inflamáveis causam um dano de fogo adicional de 2d6 + Nível de Arqueiro de Fogo.

Terror dos Goblins: A partir do 7º nível, o Arqueiro de Fogo se torna uma lenda para goblins que passam a temê-lo incondicionalmente. Toda vez que utilizar habilidade de classe Nome Profético, todos os goblins capazes de ouvi-lo, serão alvos da magia Medo (Fear) conjurada por um Mago com nível igual aos níveis de Arqueiro de Fogo do Personagem. Eles ainda têm direito a uma jogada de Vontade para negar o efeito de forma similar a magia.

Flechas Explosivas (Sob): A partir do 8º nível, o Arqueiro de Fogo é capaz de transformar suas flechas em verdadeiras bombas. Sempre que o Arqueiro de Fogo utilizar a habilidade de classe Flechas Inflamáveis para incendiar uma flecha, pode escolher transformar a flecha em uma flecha explosiva ao invés de uma flecha inflamável.

Flechas Explosivas, quando atingem o alvo, causam um dano de fogo adicional de 1d6 + Metade do Nível de Arqueiro de Fogo, além disso, causam a mesma quantidade de dano a todos os personagens que estejam a um raio de 3m (dois quadrados) do alvo original (exceto o próprio alvo). Ela também pode ser disparada contra uma área especifica, causando apenas o dano de área. Os personagens afetados pelo dano de área têm direito a um teste de Reflexos com CD igual a 10 + Modificador de Sabedoria do Arqueiro de Fogo + Níveis de Arqueiro de Fogo para reduzir o dano a metade.

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